24.08.2008
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Teces, jovem Penélope,
a tua teia.
E no teu corpo
há geadas e há giestas
e no teu leito
as estátuas caminham
esquecidas de ti.
Tens sede tens anos
és toda olhos e seios
apontados ao mar.
Teces e pereces
completa
de silêncio.
Os dedos rodopiam
e são ávidos
e arrefecem no manto aberto.
Tu sabes:
há mais linhas no teu dorso
do que no teu manto.
Que podes tu
contra a tua pele
colossal?
Esperas, jovem Penélope,
que o mar se acabe
que alguém se canse de te chamar
pátria
e venha habitar as ondas enrijecidas
as pernas espalhadas.
Esperas, jovem Penélope,
aquele que vem sem nome
sem mãos
tingir-te ao som da erva –
o bom fiadeiro
que te destece de noite
e te destece de dia.
Catarina Nunes de Almeida

