30.06.2007

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Vejo-te ao longe, nesse vestido branco e vermelho preenchido de flores. Os traços orientais do teu rosto, vincos sérios, de uma irresistível sedução. E o meu olhar, preso, à janela.

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29.06.2007

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Quantos dias de vida ainda tenho

Quantas palavras de amor vou ainda sussurrar

Quantas mulheres vou ainda amar

Quantas frases vou ainda escrever

Quantas vezes vou ainda ver os que me são especiais

Até quando cada dia continuará a ser ainda o primeiro dia do resto da minha vida

Escrito em antónio | Comentários (0)

28.06.2007

a propósito de um pão com versos de M. Torga

Ao ler, ao acaso, um poema do M. Torga percebi que ele podia ter sido escrito para ti. Alterei as duas palavras em itálico, para o aproximar um pouco mais. Deixo-to aqui uma retribuição ao mimo dos versos do poeta num saco de pão (acho que ele iria apreciar essa ideia):

Catequese

Reza comigo, se te queres salvar.

Deus é pura poesia.

E o poema uma humilde petição

No templo sacrossanto da eternidade.

Reza comigo, a ler e a memorar

Os versos que mais possam alargar

O teu sentimento

De ti, do mundo e do negro inferno

De cada hora.

Purificada neles, terás então

No coração

A paz aliviada que te falta agora

 

Original de Miguel Torga (Coimbra, 15 de Abril de 1992, em Diário XV)

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27.06.2007

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Não vais acreditar... mas, pensando bem, acho que só namorei tanto tempo com ela por causa dos peitos. Eram volumosos e de uma elegância escultural, incrivelmente bonitos. Irresistíveis...

 

 

A memória é uma sedutora escorregadia e, também ela, irresistível...

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26.06.2007

capitanio

Há mais de um ano, o António escrevia neste blog:

"À janela, vejo o sol fugir para lá do horizonte. E neste olhar, neste momento diário de contemplação sinto simultaneamente paz e angústia. Todas as coisas têm pelo menos duas faces."

E nestes dias, sinto como minhas as tuas palavras, António. 

As pessoas que mais nos tocam têm esse dom: o de se tornarem companheiras incontornáveis do nosso caminho e parte intrínseca do nosso ser. 

E à janela, na paz do final de cada tarde, ao lado da nossa Capitanio sinto já parte da angústia da sua partida. 

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E é assim que o mundo dos homens gira: onde em um se perde a luz, em outro se incendeia o corpo. E o primeiro, sou eu.

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25.06.2007

meus amigos maiores

E vamos caminhando... e nos passos sinto a respiração já arfante dos meus companheiros maiores. Sem pressas, amigos, que me quero e vos quero na génese das paisagens de muitos mais anos.

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24.06.2007

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Caminhar com a caravana é estar simultaneamente preso e livre. E é neste paradoxo que se constrói a minha identidade.

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23.06.2007

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À frente de uma caravana de centenas de animais cada passo tem o peso do mundo e a leveza de um ser que se cumpre.

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22.06.2007

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Quando se está a meio de uma jornada, pensar no que está para lá do deserto é ter um escorpião a ferrar a alma.

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