27.04.2007
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"Entristecia-me, como é óbvio, a ausência, entre nós, de prazer a nível físico. Se tal tivesse sido possível, ambos teríamos certamente sido mais felizes. Mas isso era uma coisa que não estava nas nossas mãos, uma espécie de destino inadiável, como o movimento das marés ou a passagem das estações. Por mais que Sumire e eu resguardássemos os nossos sentimentos com cuidado e inteligência, a nossa terna relação de amizade não podia durar eternamente. Era como se aquilo que existia entre nós estivesse condenado a ir dar a um beco sem saída. E nós estávamos dolorosamente conscientes disso.
Eu amava Sumire mais do que qualquer outra pessoa e desejava-a mais do que a qualquer coisa neste mundo. Por mais que quisesse, não podia adiar os meus sentimentos, pois só eles ocupavam um lugar verdadeiramente importante na minha existência.
Sonhava com o dia em que se verificasse uma transformação súbita, definitiva. Por mais remotas que fossem as hipóteses de isso se tornar realidade, tinha todo o direito do mundo a sonhar. Mas, no fundo, sabia que tal nunca viria a acontecer."
Sputnik, meu amor, Haruki Murakami
09.04.2007
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A condição sine qua non para uma viagem é ela não ter destino.
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