20.04.2006

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 Rosa    
 Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais activo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu


Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza


Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh, flor meu peito não resiste
Oh, meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do omnipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos

Pixinguinha / Octávio Souza

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E a teus pés areia, cascalho, um fio de água. Montanhas que te deixam lágrimas no olhar. E os dedos, os teus dedos, apertados nos meus, os meus dedos.

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19.04.2006

Praga, quarta-feira

Em cada viagem, em cada lugar, um eu que se transforma. Umas vezes de forma acelerada, outras de forma quase imperceptível. Sempre em transformação. Cirandando por uma cidade repleta de sombras que se abre à luz primaveril, de fronteiras invisíveis mas bem demarcadas, percorro o espaço geográfico interior onde também demarco, abro, reprimo, liberto sem que as partes e o todo se harmonizem num som, numa tonalidade. Cidade que se quer aldeia ou aldeia que se quer casa ou casa que se quer metrópole ou subúrbio... Polifonia que se faz mundo, interior.

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Catedral de St. Vitus. Entro e imediatamente a luz dos vitrais leva-me a León, à catedral de Léon. E a memória de León, da luz dos vitrais da catedral de León, leva-me ao caminho. E é já sentado, a olhar a luz espantosa que dos vitrais se espraia e deambula lentamente pela catedral, que vagueio e me deixo conduzir por um jogo de luzes e memórias que se (me) alteram em cada instante, num tango dançado entre os passos de muitos dos caminhos que me acompanham.

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18.04.2006

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O que somos? A energia que colocamos em cada instante que nos surge no caos do acaso de cada momento?

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A globalização em cada esquina de cada uma das cidades europeias visitadas. Os mesmos anúncios, as mesmas marcas, as mesmas lojas, bancos, procedimentos, comidas, carros, turistas...
Quando um lugar se torna conhecido pela diferença, pelo exotismo, rapidamente ameaça tornar-se igual a todos os outros. Uma “praga”...

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“I've nine hundred weekends to enjoy...” conversa paralela de dois jovens idosos ingleses numa esplanada.

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Praga, terça-feira

Uma fachada

De um amarelo torrado

Uma fachada em Praga

E talvez seja tudo quanto tem de ser

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17.04.2006

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Acasos ou não, é a matriz onde sempre nos vamos (des)encontrando e (re/des)construindo.

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Praga, segunda-feira

Em Praga, na cidade de Huss, Jan Huss. O outro Hus, o Hus Anteu, não é natural daqui, mas está de algum modo ligado a Jan Huss. Afinal, foi a história deste checo que inspirou o pai do Hus a dar-lhe esse nome. E por saber disto e pela afinidade que tenho ao Hus Anteu não posso deixar de me sentir um pouco contemplativo ao chegar à principal praça de Praga e aperceber-me que ela é a praça... Jan Huss, com a sua estátua heróica ao centro. Nos últimos anos vi imensas fotos e descrições desta praça, mas nunca me tinha questionado sobre qual seria o seu nome.

Impressionante, os acasos com que o destino tece a sua trama  e os anos que alguns fios levam para se enlaçarem...

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