27.01.2006
...
... Ainda te lembrarias?... Foram tantos anos de viagens, encontros, amizades partilhadas...
... Há algum tempo que nos estávamos distantes. Sem divergências, discussões ou mal entendidos, os nossos percursos foram-se diferenciando; e as horas, muitas, que partilhávamos e onde mutuamente nos construíamos diminuíram paulatinamente. Hoje (um “hoje” que já o foi): circunstanciais encontros, acenos nos carros que se cruzavam, e quando nem o acaso nos juntava tínhamos os “velhos” para nos esclarecerem sobre a saúde e o paradeiro do outro...
... Os “velhos”... Há um ano e meio viajei oito dias com os teus. Falaram-me muito de ti, ele, principalmente. Os estudos, o trabalho, os projectos, a tua união com a C., amigo, enfim, o orgulho imenso, tremendo, que tinham em ti... E daqui para a frente, meu caro, os teus “velhos”...
... Em ti, necessária e absolutamente, haverás de ter tido as tuas razões...
... Para lá delas, fica-me a certeza da fugacidade e fragilidade de tudo o que é material...
... E de que te me serás presente na (des)construção da minha própria fugaz e frágil história...
18.01.2006
... por onde ...
Tarde ensolarada. Caminho. Viro-me e vejo o olhar sorridente de um rebuçado mastigado. Mas num segundo, ele esconde-se; mas os passos seguem o rumo dos meus e, daí a pouco, já os seus pés, tamanho 30, estão paralelos aos meus, tamanho 42. Paro e, junto de mim, os pezinhos param também. Um caderno.
- Já sabes escrever?
- Sei escrever o meu nome. Também aprendi a escrever [localidade], mas já não sei como se faz.
- Mostras-me como se escreve o teu nome? :)
- É assim... ... ... ...
- Que letra bonita!... E este desenho, é um coração?
- É, mas não ficou muito bem. E este é uma borboleta.
- E agora, para onde vais?
- Vou por aí...
Conversa com uma menina de 6 anos à deriva numa aldeia, há muito abandonada, de um portugal marginal, sem destino e sem rumo.
16.01.2006
Guilty
Is it a sin, Is it a crime
Loving you, dear, like I do?
If it’s a crime then I’m guilty,
Guilty of loving you.
Maybe I’m wrong, dreaming of you
Dreaming the lonely night thru,
If it’s a crime then I’m guilty,
Guilty of dreaming of you.
What can I do, What can I say,
After I’ve taken the blame?
You say you’re thru,
You’ll go your way
But I’ll always feel just the same.
Maybe I’m right, maybe I’m wrong,
Loving you, dear, like I do,
If it’s a crime then I’m guilty,
Guilty of loving you.
Letra e música por Gus Kahn, Harry Akst, & Richard A. Whiting, 1931 [encontra-se na banda sonora de "O fabuloso destino de Amélie Poulain"]

