24.09.2004
Postal
A cidade dorme sobre o branco da manhã
Há um despertar que se insinua
Por entre o nevoeiro
Fresco
No que há-de vir
Está marcada a
Toalha húmida que vislumbramos
Imaculada
Em toda a extensão do horizonte
Ninguém é sem o que foi
21.09.2004
Relembrando
Sempre que um mundo se põe
Há um vazio onde nasce a esperança
De um outro mundo que há-de vir.
18.09.2004
Luz do êxtase que provoca
Inteireza
Harmonia
Claridade
Segundo São Tomás de Aquino, as três condições necessárias para a beleza.
16.09.2004
Procura
Escorro sangue por entre as brumas da paixão
Que avassaladoramente me não deixa viver
Procuro o refúgio do ser
Que me abrirá o mundo que busco nas palavras que não encontro
És quem queria que fosses
Não me és quem queria que me fosses
Mas já me basta esse teu nada tudo ser
Para tentar chegar onde não alcanço
Onde repousas
Não tu que passaste nas palavras atrás
Mas a que no tempo há-de vir com as palavras impossíveis
Escorro por gotas lentas secas que cristalizam na pele enrugada
Gotas que se estendem tentando ser mais com o pouco que têm
Não é por elas que vou mas são elas quem me diz onde estou
Onde vou não sei nem elas nem ninguém
Mas onde for irão as palavras
E as que chegarem onde não sei que chegarão
Serão diferentes das muitas que não chegarão a lado algum
Sei
Que fiquem as essenciais
São as importantes para partilhar na ajuda de chegarmos a outro destino
As outras que se consumam que se percam que se gastem
Saberei eu que foi por elas que ficaram as outras
Que nem são mais nem menos
São só o fruto e o que se vê melhor é o que fica
O resto tanto fica para quem o sabe que nada serão
Senão o húmus odorento vindo das palavras analfabetas
Do mundo das sensações ignoradas

