22.05.2004

Sombra

Une-me-te a sensação profunda de algo intrínseco, abismal, que temos em comum. Dispensa os olhares, os toques, os gestos, as palavras, os encontros, as despedidas, os regressos, os lugares, o espaço, o tempo. Deixa a memória, a lembrança visceral, duma intimidade pungente.

Confidencial

"Não me perguntes, porque nada sei
Da vida,
Nem do amor,
Nem de Deus,
Nem da morte.
Vivo,
Amo,
Acredito sem crer,
E morro, antecipadamente
Ressuscitado.
O resto são palavras
Que decorei
De tanto as ouvir.
E a palavra
É o orgulho do silêncio envergonhado.
Num tempo de ponteiros, agendado,
Sem nada perguntar,
Vê, sem tempo, o que vês
Acontecer.
E na minha
mudez
Aprende a adivinhar
O que de mim não possas entender."

Miguel Torga (Setembro 1992)

18.05.2004

Blau

Afundado em mim, perdi-te.
Sumido, errei sem te sentir.

16.05.2004

O que vão dizendo as palavras

Ao ver-te atinges-me com uma onda de choque inesperada. E sou obrigado a recuar, a lembrar “quem era” quando passei por onde passas agora...

No meu giratório quadro referencial é um tempo redentor, fogacho genesíaco dum mundo invisível em que me apoio.

Ao ver-te nesse passo de dança, que me prende olhar, recuo e admiro a precocidade do teu ritmo, a cadência deslumbrante dos teus gestos, a música deslumbrante dos teus passos, o jeito mágico de rodopiares no infinito, o equilíbrio constante da tua oscilação, o sorriso etéreo que ofereces ao sopro da música, o olhar deslumbrante que manténs na expressão... Sublime, dança após dança susténs-me a respiração.
Anda, vamos dançar no mundo.

10.05.2004

Viagens

Uma outra forma de aproximação - intensa, caótica, indefinida, chocante, singular na pluralidade das experiências - ao nosso âmago.

Amanhã, um outro destino.

Prometeu sedento de horizontes na eterna busca de si mesmo.

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