10.08.2009
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do cheiro a incenso soltam-se memórias de outros encontros à volta de uma mesa. lá como aqui, a sensação de o meu ser estar no encontro com os outros.
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08.08.2009
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Para lá das dunas, uma montanha de areia em movimento furioso. E os nossos passos, há pouco alinhados em seta, quedam-se num círculo onde nos sabemos irmãos, filhos do nosso destino.
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17.02.2009
vila meã, 17 de fevereiro de 2009
18.11.2008
vila meã, 18 de novembro de 2008
17.11.2008
vila meã, 17 de novembro de 2008
leituras,
“One of my values is to help patients in psychotherapy to enrich their awareness of their internal experiencing while enhancing their ability to care about, connect with, and be attached to other people.” (Wolfe, 2003)
02.11.2008
reconstrução
"Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança;
Todo o Mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades."
Luís Vaz de Camões
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24.08.2008
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Teces, jovem Penélope,
a tua teia.
E no teu corpo
há geadas e há giestas
e no teu leito
as estátuas caminham
esquecidas de ti.
Tens sede tens anos
és toda olhos e seios
apontados ao mar.
Teces e pereces
completa
de silêncio.
Os dedos rodopiam
e são ávidos
e arrefecem no manto aberto.
Tu sabes:
há mais linhas no teu dorso
do que no teu manto.
Que podes tu
contra a tua pele
colossal?
Esperas, jovem Penélope,
que o mar se acabe
que alguém se canse de te chamar
pátria
e venha habitar as ondas enrijecidas
as pernas espalhadas.
Esperas, jovem Penélope,
aquele que vem sem nome
sem mãos
tingir-te ao som da erva –
o bom fiadeiro
que te destece de noite
e te destece de dia.
Catarina Nunes de Almeida
15.03.2008
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e no teu rosto, sereno, traços cor do bronze
embalados no sono
e olho-te
a pele, as feições, o corpo descoberto
movimento subtis, sonhos onde entras
e respiro-te no aconchego tranquilo
que esparges no espaço
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14.03.2008
... Fabianando...
"No more blues
I'm going back home
(...)
Home is where the heart is
(...)
No more fears
And no more sighs
No more tears
(...)
When we settle down
There'll be no more blues
Nothing but happiness"
Antonio Carlos Jobim / Vinicius de Moraes / Jessei Cavanaugh/Jon Hendricks
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04.12.2007
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as tuas palavras, fugazes, suspiros
de sonhos, ou traços
de lâmina, acolhem-se
lânguidos na minha memória
e são o que me resta de ti.
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03.12.2007
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palavras que são despedida,
fragmentos de seres, abraços
de encontros que não voltam.
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22.11.2007
uma manhã que se abriu num poema a dois
... Demoraste tanto a falar
Gostei de te conhecer...
Saudades, espero pela tua resposta...
Morremos pelo que não dizemos
Não, não sou só eu...
Sinto e muito, és-me muito
Não, espera... Não.
... Vamos olhar para as estrelas
Não li a tua carta, não consegui
Olha aqui, estamos os dois
Assim estamos melhor.
Afinal não consigo
Vai, és tu que queres partir.
Olá,
Pensei escrever-te, mas
Eu escrevo,
Novamente nesta indefinição, e agora...
Caminhemos,
Emociona-me saber-me nos teus passos.
A tua benção,
Meu quase amor.
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19.11.2007
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Horas a escrever sobre ti. E isso pode conter imensos significados, mais não seja o de me dares um significado.
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18.11.2007
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Palavras que são cadências
de sons interiores, rumores
que me digo sem te dizer.
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17.11.2007
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Palavras que são gestos de uma saudade que não cala, de um amor que não cessa.
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30.09.2007
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To study Buddhism is to study the self.
To study the self is to forget the self.
To forget the self is to be enlightened by all things.
To be enlightened by all things is to
remove the barriers between oneself and others.
Zen Master Dogen, 1200-1253
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12.08.2007
100 anos de Miguel Torga

12 de Agosto de 1953
"Já me me lembrei de roubar numa destas cabines do balneário uma ampulheta que funciona mal, e guiar-me pelos seus caprichos. De vez em quando a areia pára de correr, e o tempo pára também, à espera que ela se resolva a medi-lo. O resultado é baralharem-se de tal modo a inércia e o movimento, o frémito e a estagnação, a vida e a morte, que se esbatem no pensamento os limites precisos de qualquer duração, sem que o espírito deixe de a sentir. O que é verdadeiramente ideal para o caso concreto de um poeta, que deve envelhecer aos ziguezagues, umas vezes de trás para diante, outras vezes de diante para trás, de maneira que possa atar sempre a ponta esperançosa do princípio do novelo à ponta desesperada do fim."
12 de Agosto de 1954
Radiograma aos que voam
"Homens aéreos, em levitação,
Espíritos de hoje, meus irmãos ausentes:
Olhai o chão, as fontes e as sementes,
E estes versos de assombro desfolhado.
Dái-me a certeza de que sois herdeiros
Dos terrosos e humildes pioneiros
Das asceses sem asas do passado."
12 de Agosto de 1955
"Vou fazer anos à Calcedónia, ao Cabril ou à Borrajeira - aos picos mais altos da Montanha. Que ao menos o espírito, que vai morrendo no corpo, tenha assim um vislumbre de ressurreição."
11.08.2007
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... E no encontro pleno, já não é só uma carência que se atenua, mas um sentimento que se transfigura, em ambos, em algo maior que o masculino ou o feminino - em algo divino.
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A parte do corpo masculino de onde o Criador tirou uma costela, para criar a mulher, não ficou vazia. Ficou plena de uma carência. Carência que não sei designar, que não sei explicar, cujo sentir apenas se atenua no movimento de encontro com o feminino.
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08.08.2007
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de asas ou cadência
de sílabas, devemos
acolhê-las com algum amor
- são talvez as derradeiras.
Eugénio de Andrade
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02.08.2007
sorry seems to be the hardest word
What I got to do to make you love me?
What I got to do to make you care?
What do I do when lightning strikes me?
And I wake to find that you're not there?
What I got to do to make you want me?
What I got to do to be heard?
What do I say when its all over?
Sorry seems to be the hardest word
It's sad, so sad
It's a sad, sad situation
And it's getting more and more absurd
It's so sad so sad
Why can't we talk it over?
Oh it seems to me
Sorry seems to be the hardest word
What I do to make you want me?
What I got to do to be heard?
What do I say when it's all over?
Sorry seems to be the hardest word
What do I do to make you love me?
What I got to do to be heard?
What do I do when lightning strikes me?
What do I got to do?
What do I got to do?
When sorry seems to be the hardest word
Elton John
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25.07.2007
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Amanhã, não estarei aqui. No ar restará o aroma do encontro dos corpos. E em mim a certeza de te ter amado.
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24.07.2007
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Ainda agora, nesse milésimo de segundo atrás, o teu toque no meu corpo. E nele a certeza de uma proximidade há muito desejada.
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01.07.2007
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"In memory, love lives forever."
Michael Ondaatje, in The English Patient
30.06.2007
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Vejo-te ao longe, nesse vestido branco e vermelho preenchido de flores. Os traços orientais do teu rosto, vincos sérios, de uma irresistível sedução. E o meu olhar, preso, à janela.
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29.06.2007
?
Quantos dias de vida ainda tenho
Quantas palavras de amor vou ainda sussurrar
Quantas mulheres vou ainda amar
Quantas frases vou ainda escrever
Quantas vezes vou ainda ver os que me são especiais
Até quando cada dia continuará a ser ainda o primeiro dia do resto da minha vida
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28.06.2007
a propósito de um pão com versos de M. Torga
Ao ler, ao acaso, um poema do M. Torga percebi que ele podia ter sido escrito para ti. Alterei as duas palavras em itálico, para o aproximar um pouco mais. Deixo-to aqui uma retribuição ao mimo dos versos do poeta num saco de pão (acho que ele iria apreciar essa ideia):
Catequese
Reza comigo, se te queres salvar.Deus é pura poesia.
E o poema uma humilde petição
No templo sacrossanto da eternidade.
Reza comigo, a ler e a memorar
Os versos que mais possam alargar
O teu sentimento
De ti, do mundo e do negro inferno
De cada hora.
Purificada neles, terás então
No coração
A paz aliviada que te falta agora
Original de Miguel Torga (Coimbra, 15 de Abril de 1992, em Diário XV)
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27.06.2007
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Não vais acreditar... mas, pensando bem, acho que só namorei tanto tempo com ela por causa dos peitos. Eram volumosos e de uma elegância escultural, incrivelmente bonitos. Irresistíveis...
A memória é uma sedutora escorregadia e, também ela, irresistível...
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26.06.2007
capitanio
Há mais de um ano, o António escrevia neste blog:
"À janela, vejo o sol fugir para lá do horizonte. E neste olhar, neste momento diário de contemplação sinto simultaneamente paz e angústia. Todas as coisas têm pelo menos duas faces."
E nestes dias, sinto como minhas as tuas palavras, António.
As pessoas que mais nos tocam têm esse dom: o de se tornarem companheiras incontornáveis do nosso caminho e parte intrínseca do nosso ser.
E à janela, na paz do final de cada tarde, ao lado da nossa Capitanio sinto já parte da angústia da sua partida.
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E é assim que o mundo dos homens gira: onde em um se perde a luz, em outro se incendeia o corpo. E o primeiro, sou eu.
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25.06.2007
meus amigos maiores
E vamos caminhando... e nos passos sinto a respiração já arfante dos meus companheiros maiores. Sem pressas, amigos, que me quero e vos quero na génese das paisagens de muitos mais anos.
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24.06.2007
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Caminhar com a caravana é estar simultaneamente preso e livre. E é neste paradoxo que se constrói a minha identidade.
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23.06.2007
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À frente de uma caravana de centenas de animais cada passo tem o peso do mundo e a leveza de um ser que se cumpre.
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22.06.2007
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Quando se está a meio de uma jornada, pensar no que está para lá do deserto é ter um escorpião a ferrar a alma.
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21.06.2007
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O rasto de pegadas que deixo para trás são tudo o que de meu existe no deserto. Olho para trás e vejo-as desaparecer no vento que sopra. Aqui o passado não se vê, pressente-se, adivinha-se. O futuro é sempre o horizonte: azul de céu, amarelo de areia.
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20.06.2007
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Chego a casa. E é uma imensidão de coisas para fazer. Coisas banais, coisas importantes, coisas desta e daquela forma. E o que mais me ocupa são tarefas e burocracias. Afazeres que não representam nada, não ajudam em nada, e servem para pouco mais que nada.
Chego. Chego às coisas em que quero/ia trabalhar. E é um desejo nunca concretizado. Deambulo em círculos e geometrias ocas. Rodo, rodo, rodo até que caio no sono e no desejo último de que amanhã tudo seja diferente.
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10.06.2007
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a manhã é uma densa juventude
e um caminho de esperança, recolhido.
Com brisas que antecedem os desejos
magoa as ténues águas dos nenúfares
onde os peixes gravitam suas cores.
As crianças brincam já a esta hora.
As suas vozes trocam de harmonia
e sobem, no meu peito iluminado.
O dia acorda o dia e, lentamente,
nos preparamos para envelhecer.
E assim, amor, eu mando-te notícias
sem vontade de ter outra morada
que não seja sorrir e estar contigo.
Passou, agora mesmo, ao rés da rua,
um esquife, vazio de pessoas,
queimando a dor em duas ou três rosas
- quase bonitas de tão pobrezinhas!
Além, um gato, expira nos esgotos
seu gesto melancólico de fome
e um homem - já cansado de ser homem,
encosta-se ao portão dum prédio novo.
É manhã. Um ar lavado e fresco
entorna-se nos rostos apressados
como se a dor não existisse mais.
Que sons, os da cidade, meu amor!
Vasco de Lima Couto
08.06.2007
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Obrigado, a todos os seres que se cruza(ra)m nos meus passos e me fazem vivo na minha humanidade.
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15.05.2007
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À sombra, olho as montanhas em redor. O calor e a luz fazem a atmosfera serpentear aos meus olhos. E sinto-me imerso em tudo isto, sem capacidade de pensar em algo mais que não seja este fogo seco que me cerca de todos os lados.
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02.05.2007
Samba da Benção
Alegria é a melhor coisa que existe
É assim como a luz no coração
Mas pra fazer um samba com beleza
É preciso um bocado de tristeza
Senão, não se faz um samba não
"Senão é como amar uma mulher só linda. E daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza, qualquer coisa de triste, qualquer coisa que chora, qualquer coisa que sente saudade. Um molejo de amor machucado, uma beleza que vem da tristeza de se saber mulher, feita apenas para amar, para sofrer pelo seu amor e para ser só perdão."
Fazer samba não é contar piada
E quem faz samba assim não é de nada
O bom samba é uma forma de oração
Porque o samba é a tristeza que balança
E a tristeza tem sempre uma esperança
A tristeza tem sempre uma esperança
De um dia não ser mais triste não
"Feita essa gente que anda por aí brincando com a vida. Cuidado companheiro! A vida é pra valer. E não se engane não, tem uma só. Duas mesmo, que é bom, ninguém vai me dizer que tem sem provar muio bem provado, com certidão passada em cartório do Céu e assinado embaixo 'Deus', e com firma reconhecida! A vida não é de brincadeira amigo. A vida é arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. Há sempre uma mulher a sua espera com os olhos cheios de carinho e as mãos cheias de perdão. Ponha um pouco de amor na sua vida como no seu samba."
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
"Eu, por exemplo, o capitão-do-mato Vinícius de Moraes, poeta e diplomata. O branco mais preto do Brasil, na linha direta de xangô. Saravá! A bênção Senhora, a maior ielo-orixá da Bahia, terra de Caíbe e João Gilberto. A benção Pixinguinha, tu que choraste na flauta todas as minha mágoas de amor. A benção Senhor. A benção Cartola. A benção Esmael Silva. Sua benção e todos prazeres. A benção Nelson Cavaquinho. A benção Geraldo Pereira. A benção meu bom Cílio Monteiro você, sobrinho de Nonô. A benção Noel. Sua benção Ari. A benção todos os grandes sambistas do meu Brasil branco, preto, mulato, lindo como a pele macia de oxô. A benção maestro Antônio Carlos Jobim, parceiro e amigo querido que já viajaste tantas canções comigo e ainda há tantas a viajar. A benção Carlinhos Guira, parceirinho 100%, você que une a ação ao sentimento e ao pensamento. Benção! A benção Baden-Powell, amigo novo, parceiro novo que fizeste este samba comigo. A benção amigo! A benção ao maestro Moacir Santos, que não é um só és tantos, tantos como o meu Brasil de todos os santos, inclusive o meu São Sebastião. Saralá! A benção que eu vou partir, eu vou ter que dizer adeus."
Ponha um pouco de amor numa cadência
E vai ver que ninguém no mundo vence
A beleza que tem um samba, não
Porque o samba nasceu lá na Bahia
E se hoje ele é branco na poesia
Se hoje ele é branco na poesia
Ele é negro demais no coração
Vinicius de Moraes
27.04.2007
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"Entristecia-me, como é óbvio, a ausência, entre nós, de prazer a nível físico. Se tal tivesse sido possível, ambos teríamos certamente sido mais felizes. Mas isso era uma coisa que não estava nas nossas mãos, uma espécie de destino inadiável, como o movimento das marés ou a passagem das estações. Por mais que Sumire e eu resguardássemos os nossos sentimentos com cuidado e inteligência, a nossa terna relação de amizade não podia durar eternamente. Era como se aquilo que existia entre nós estivesse condenado a ir dar a um beco sem saída. E nós estávamos dolorosamente conscientes disso.
Eu amava Sumire mais do que qualquer outra pessoa e desejava-a mais do que a qualquer coisa neste mundo. Por mais que quisesse, não podia adiar os meus sentimentos, pois só eles ocupavam um lugar verdadeiramente importante na minha existência.
Sonhava com o dia em que se verificasse uma transformação súbita, definitiva. Por mais remotas que fossem as hipóteses de isso se tornar realidade, tinha todo o direito do mundo a sonhar. Mas, no fundo, sabia que tal nunca viria a acontecer."
Sputnik, meu amor, Haruki Murakami
09.04.2007
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A condição sine qua non para uma viagem é ela não ter destino.
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22.03.2007
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Alguém sabe o que é corpo? Alguém sabe o que é alma? Alguém sabe o que é amor? O que é vida? O que é o coração? O que é o tempo? O que é o homem, o que é cada homem?
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21.03.2007
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A intuição feminina é algo que notoriamente escapa aos seres não femininos.
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27.02.2007
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Mais uma partida, mais uma viagem. Trilho os caminhos desconhecidos do meu destino. Passos que antecedem a linguagem de novos encontros.
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15.02.2007
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Talvez a minha vida se tenha tornado paradoxal desde que comecei a ver o meu pai, calvo (desde sempre assim até onde me leva a memória), cortar o cabelo dos outros até morrer nos seus belos 84 anos.
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08.02.2007
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Depois do silêncio do dia, vem o silêncio e a solidão da noite.
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05.02.2007
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"Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia. Tudo passa, tudo sempre passará."
E nesta chegada, que também já é e será partida, a um novo marco cronológico, há uma parte de mim que já foi, que já fui. Resta-me agora, como sempre, o que sou e o que serei. E a certeza de a cada momento estar mais perto da minha história.
"Chega-te a mim, mais perto da lareira; vou-te contar a história verdadeira."
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04.02.2007
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O coração aperta-me. O que sinto aperta-me o coração. Um sentimento e um coração que se apertam.
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03.02.2007
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02.02.2007
tudo em mim sorri(a)
Cruzo a avenida e acelero em direcção a ti.
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01.02.2007
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Era uma vez uma fuga. Uma fuga que corria e corria e corria. Uma fuga que não sabia do que fugia. Uma fuga que só sabia ser daquela forma. E isso lhe bastava. Um dia, uma nuvem que passava empurrada pelo vento perguntou-lhe por que é que ela nunca parava. Ela ficou surpreendida, nunca tinha colocado essa hipótese. E ao experimentar abrandar um pouco estremeceu de medo. E correu, correu muito. Sempre em fuga.
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31.01.2007
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Um tempo houve em que era o que queria ficar. Tinha tudo.
Liberta-me da memória desse tempo, Caminho, para não ficar sem nada.
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30.01.2007
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"Sob a orientação de um líder emocionalmente inteligente, as pessoas sentem-se mutuamente apoiadas. Partilham ideias, aprendem umas com as outras, tomam decisões em clima de colaboração, fazem as coisas avançar. Constroem elos emocionais que as ajudam a permanecer centradas no que é importante, mesmo que o ambiente seja de mudança e de incerteza. Mais importante ainda, estabelecem elos emocionais com as outras pessoas por forma a dar mais sentido ao trabalho.
(...) Por outro lado, se o líder não tem ressonância, as pessoas seguem as rotinas do trabalho, mas fazem apenas o essencial ou o habitual, em vez de darem o seu melhor. Se não utilizar uma boa dose de sentimentos, o suposto «líder» pode ser capaz de dirigir - mas não consegue liderar."
Goleman, Boyatzis & McKee, Os novos líderes. A inteligência emocional nas organizações
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29.01.2007
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Ver-te!...
São as lágrimas que limpam o pó entranhado nos olhos que me deixam ver as estrelas.
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28.01.2007
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Olho o mar como quem olha o fim: sou eu que me aproximo dele ou é ele quem o faz?
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Paro, olho para trás e vejo na areia os sulcos dos meus pés. Sem saber porquê choro. Será este o trilho que eu queria? O que há nele de destino, o que há nele de escolha?
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27.01.2007
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Na hora em que o sol apaga a sombra também é noite. Hora de silêncio onde ecoam as saudades dos sussurros quentes das tuas palavras. Imóvel, detenho-me na miragem do teu sorriso, na brandura dos teus gestos.
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26.01.2007
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E sob o frio da noite acolho-me num manto de lã, como se de regresso ao calor da infância.
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25.01.2007
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Penso nas oliveiras. Penso no verde. No sabor da água fresca. O deserto é pensar no que não temos. Onde estás?
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24.01.2007
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Silêncio. Silêncio que não nos é estranho. Onde nos vamos perdendo. E assim, também assim, vamos morrendo um no outro.
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23.01.2007
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Debaixo de um sol de meio-dia de inverno, deitado sob o cascalho a olhar um céu infinito. Paz.
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22.01.2007
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Noite em que viajo em mim, onde me perco por corredores iluminados, por portas que abrem para corredores de corredores, janelas por onde saltam pássaros alucinados, noite em que me fixo em clarabóias que exibem a luz de diferentes noites, de diferentes vidas dentro de mim.
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21.01.2007
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E volto às palavras. São elas a minha sede, são elas a minha água, são elas o meu sangue. E voltando a elas volto a ti que me és verbo e me és tudo.
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20.01.2007
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Tarde. Mais um crepúsculo na baía dos meus anos.
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18.01.2007
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É inumerável o que em ti me perde.
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Quando fico mais confuso retomo a caminhada, como se nos passos incertos de um trilho sempre desconhecido pudesse encontrar pistas para a minha, para a nossa jornada.
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17.01.2007
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Vinte e três anos não é idade de gente. É o tempo de alguém que se faz gente; sem ilusões, que o caminho, dizem, é longo.
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16.01.2007
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Como o vento pelo galho de uma árvore jovem, as estações que passam fazem vibrar em mim a seiva da vida. E é tanto quanto basta. E um dia, quando a árvore perder as forças, só terei que fazer o mesmo que agora: dormir, uma última vez.
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15.01.2007
manifesto
Este blog não tem sentido nenhum. Por isso é que continua a existir, porque não existe para nada. Se existisse explicitamente para alguma coisa já teria desaparecido, porque não teria cumprido esse propósito. É um blog sem sentido. É um blog livre. É um blog que tem o sentido de não ter que ter um sentido para existir.
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d'onde
Cá em baixo faz-me todo o sentido perder-me e encontrar-me nos meandros da psicologia. Mas quando nas montanhas... a palavra psicologia desaparece, outra maior que não sei definir ocupa-lhe o lugar. Talvez por isso tenha vindo para cá, para junto do Tejo, do sol, do calcário: para não me lembrar de ter dúvidas, ou melhor, para ter a certeza de não ter dúvidas... E se este post toma forma é só porque ainda agora cheguei, são os efeitos do jet lag, das viagens rápidas; e de algumas partes de mim serem um pouco mais lentas, menos urbanas.
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Poema melancólico a não sei que mulher
Fosse eu saber quem é hoje
Talvez já não escrevesse um poema
Quem sabe uma prosa
Mas já não seria a não sei que Mulher...
Antes seria àquela que foi
E assim seria aquela que é a que não sei o que é
Mas seria isso e não teria eu nada a ver com tal
(A não ser talvez uma certa rigidez na voz
Talvez essa ainda a da tal outra a primeira).
Agora
Não me interessa a tal que hoje é só tal
É a tal outra
Que mais é que uma tal que hoje é só tal
Essa outra sim.
Sim
Talvez se não a conhecesse e visse só
Lhe escrevesse um poema daqueles
Com um título
Poema melancólico a não sei que mulher
E dissesse
Que
Com isto disse tudo o que tinha a dizer.
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14.01.2007
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ou se te beijarei nos lábios
poderás dizer o que não quero ouvir
antes de sequer poder sonhar que não o dirásEscrito em hm | Comentários (0)
13.01.2007
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Recordas-te de quando nos lembrávamos que ainda mutuamente nos pensávamos?
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Marão
Aqui sinto-me sempre livre no que sou e sempre preso no que deixo. É sempre numa felicidade angustiada que me levo embora.
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09.12.2006
regressando
Agora, depois de tantos meses sem aqui escrever, sinto-me estranho neste espaço, tacteando as colunas, as letras, as linhas num esforço de acomodação a um lugar (in)existente.
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20.04.2006
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Rosa Tu és, divina e graciosa
Estátua majestosa do amor
Por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor
De mais activo olor
Que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente
Aqui nesse ambiente de luz
Formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz
Do arfante peito seu
Tu és a forma ideal
Estátua magistral oh alma perenal
Do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor
Em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor
És láctea estrela
És mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te
Eu hei de sempre amar-te
Oh, flor meu peito não resiste
Oh, meu Deus o quanto é triste
A incerteza de um amor
Que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia
Ao pé do altar
Jurar, aos pés do omnipotente
Em preces comoventes de dor
E receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos
Pixinguinha / Octávio Souza
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E a teus pés areia, cascalho, um fio de água. Montanhas que te deixam lágrimas no olhar. E os dedos, os teus dedos, apertados nos meus, os meus dedos.
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19.04.2006
Praga, quarta-feira
Em cada viagem, em cada lugar, um eu que se transforma. Umas vezes de forma acelerada, outras de forma quase imperceptível. Sempre em transformação. Cirandando por uma cidade repleta de sombras que se abre à luz primaveril, de fronteiras invisíveis mas bem demarcadas, percorro o espaço geográfico interior onde também demarco, abro, reprimo, liberto sem que as partes e o todo se harmonizem num som, numa tonalidade. Cidade que se quer aldeia ou aldeia que se quer casa ou casa que se quer metrópole ou subúrbio... Polifonia que se faz mundo, interior.
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Catedral de St. Vitus. Entro e imediatamente a luz dos vitrais leva-me a León, à catedral de Léon. E a memória de León, da luz dos vitrais da catedral de León, leva-me ao caminho. E é já sentado, a olhar a luz espantosa que dos vitrais se espraia e deambula lentamente pela catedral, que vagueio e me deixo conduzir por um jogo de luzes e memórias que se (me) alteram em cada instante, num tango dançado entre os passos de muitos dos caminhos que me acompanham.
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18.04.2006
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O que somos? A energia que colocamos em cada instante que nos surge no caos do acaso de cada momento?
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A globalização em cada esquina de cada uma das cidades europeias visitadas. Os mesmos anúncios, as mesmas marcas, as mesmas lojas, bancos, procedimentos, comidas, carros, turistas...
Quando um lugar se torna conhecido pela diferença, pelo exotismo, rapidamente ameaça tornar-se igual a todos os outros. Uma “praga”...
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“I've nine hundred weekends to enjoy...” conversa paralela de dois jovens idosos ingleses numa esplanada.
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Praga, terça-feira
De um amarelo torrado
Uma fachada em Praga
E talvez seja tudo quanto tem de ser
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17.04.2006
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Acasos ou não, é a matriz onde sempre nos vamos (des)encontrando e (re/des)construindo.
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Praga, segunda-feira
Em Praga, na cidade de Huss, Jan Huss. O outro Hus, o Hus Anteu, não é natural daqui, mas está de algum modo ligado a Jan Huss. Afinal, foi a história deste checo que inspirou o pai do Hus a dar-lhe esse nome. E por saber disto e pela afinidade que tenho ao Hus Anteu não posso deixar de me sentir um pouco contemplativo ao chegar à principal praça de Praga e aperceber-me que ela é a praça... Jan Huss, com a sua estátua heróica ao centro. Nos últimos anos vi imensas fotos e descrições desta praça, mas nunca me tinha questionado sobre qual seria o seu nome.
Impressionante, os acasos com que o destino tece a sua trama e os anos que alguns fios levam para se enlaçarem...
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16.04.2006
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1. Ligo para casa. Novidades?, "O Porto foi ontem a Lisboa ganhar ao Sporting! Já falta pouco, vamos ser campeões!!!". Eu, rejobilo.
Adoro Lisboa, mas as minhas raízes estão a norte. Hoje, as vitórias do F.C.P. (que antes me faziam vibrar pelo clube em si mesmo) fazem-me feliz pelos significados que activam dentro de mim: as memórias do norte onde nasci e cresci, de toda uma série de ligações mnésicas, afecticas, emotivas que me tornam no que sou. E se esta ligação entre o F.C.P. (o do futebol jogado, o resto...) e a forma de sentir as suas vitórias é estranha, não será mais do que a forma como cada um de nós se torna no que é...
2. Por curiosidade. No primeiro ponto há, entre outras, duas coisas que ficam subreferidas. Uma é o carácter necessariamente datado de qualquer tipo de "sucesso". A segunda é a base aleatória de onde as pessoas e instituições partem para a(s) sua(s) construções. Penso nisto porque soube da notícia da F.C.P. e escrevi este texto no... Goa Cafe, em Budapeste.
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Budapeste, domingo
Estação de comboio, Nyugati Pu. Dentro da estação, o tempo e o espaço como que parados. Em passo acelerado percorremos a estação, procuramos a bilheteira internacional. À nossa volta, as pessoas parecem mover-se em outra dimensão. Os passos são pesados. Caminham em pequenos grupos de duas, três, quatro pessoas. A atmosfera, cinzenta no exterior, é de um amarelo translúcido dentro da estação. Rostos parados, inexpressivos, a olhar para os horários. Funcionários dos caminhos de ferro com as ferramentas nas mãos, a trabalhar, lentamente, de olhos postos nas pessoas. Os bancos, semi-ocupados; pessoas sentadas com sacos espalhados pelo chão. Entramos nas galerias contíguas à gare principal. Cores escuras, cheiro a urina e a pó. Já nas bilheteiras não há computadores, tudo é manual. Para a venda de cada bilhete é realizada é uma grande panóplia de procedimentos, carimbos, assinaturas, passaportes, impressos e mais impressos. Tudo muito lentamente. Mendigos arrastam-se encostados às paredes. Outros dormem nos bancos. Tudo vagaroso. Tudo muito lentamente.
Hoje é domingo, dia de páscoa.Escrito em hm | Comentários (0)
Fabiana
"Eu sei meu amor que nem chegaste a partir, pois tudo em meu redor me diz que estás sempre comigo. (...) Dentro do meu peito estás sempre comigo."
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15.04.2006
Budapeste, sábado
Num jardim ao cair da noite, “tasquinhas” de vinho e churrascos. Uma massa enorme de pessoas fluí de copo na mão. Conversas em várias línguas. Música ao vivo. E, um portuguese wine a aquecer o espírito.
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Reparar. O reparar nos olhos de outros. Reparar pelos olhos de outros. Reparar. Reparar-me pelos olhos de outros. Reparar-me nos olhos. Séria. Seria.
Escrito em lindia guerniani | Comentários (0)
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Diário de pequenos nadas. O que será mais "real" ou próximo do que sou: um espaço onde objectivo o que me acontece e sinto, ou outros em que me deixo levar pelo que acontece apenas e só dentro de mim, muitas vezes com pouca ligação ao "real"?
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... na espiral onde sempre nos (des)encontramos.
Escrito em hm | Comentários (0)
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... passado... páginas da memória repletas de ti. o que se desencontra dentro de ti dás-nos tu nos passos que deixas. páginas da memória repletas de ti. passos indeléveis no que somos.
Escrito em lindia guerniani | Comentários (0)
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... silêncio ... foi onde nos encontrámos na ilha do vazio, nesse mar que é passado
Escrito em antónio | Comentários (0)
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à maneira de ruy cinatti
caligrafia desalinhada
prenúncio do silêncio.
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Tão perdido quanto os meus passos pelo mundo. Mas também é neles que me encontro. Passos onde me descubro perdido. Caminhando. Errância onde me constantemente me revejo sem me ver.
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Às vezes parece-me que sou o mais perdido dos que aqui escrevem. Não era suposto sê-lo.
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nooutroemmim
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